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Resposta do Ministério Ágape Reconciliação sobre o artigo “Curso de Libertadores: Uma análise bíblica e teológica sobre a prática de libertação no Ministério Ágape Reconciliação”

 

 

por Mariel Marra*

 

INTRODUÇÃO

 

Em Março de 2007 foi publicado em nosso site, um breve artigo relatando minha experiência vivida em Outubro de 2005, durante o Curso de Libertadores ministrado pela Neuza Itioka e sua equipe na cidade de Betim/MG.

Foi escrito tudo o que eu havia aprendido e recebido dos professores nesta época e ao final, com todo respeito, pontuei algumas questões sobre algumas das práticas que lá eram ensinadas.

Fato é que não coloco em questão a idoneidade moral deste Ministério e tão pouco das pessoas que fazem parte dele, entretanto no curso, foram ensinadas algumas práticas, as quais não encontrei qualquer respaldo bíblico para sustentá-las, logo me sinto a vontade para questiona-las sem que isso incorra como ofensa.

Só para citar algumas, questionei sobre a proibição de se ficar descalços e não cruzar braços e pernas durante as sessões de libertação. Algo que perante as escrituras, não encontro qualquer respaldo, e tão pouco observo este tipo de prática em Jesus Cristo ou na Sua Igreja em 2000 anos de existência.

Sobre estas práticas busquei respostas, ainda naquela época, durante o curso, e me disseram que estas práticas haviam sido reveladas pelo Espírito e que quando eles não faziam daquela forma, os demônios apresentavam resistência. Na explicação que foi me dada, naquela época, dava a entender que ficar descalço ou cruzar os membros do corpo eram gestos que deixariam supostamente os demônios mais resistentes, logo mais difíceis de sair do corpo das pessoas possessas.

Ok, num primeiro momento consideremos que esta é uma boa resposta, pois na realidade as religiões não-cristãs também acreditam que gestos, tais como estes, causam interferencias.

Entretanto e as escrituras? O que Jesus faria? O que as escrituras dizem sobre Ele em situação semelhante? E o Sola Scriptura(somente as escrituras)? Não é ela(as escrituras) o único princípio de fé e prática de todos os Cristãos?

Foi portanto a partir desta clara diferença entre o que era ensinado pelo Ágape e o que as escrituras diziam, que então nasceu o artigo de março, o qual no dia 05/04/07 recebeu uma nova resposta do Ministério Ágape. Algo que conforme prometido anteriormente a resposta já se encontra vinculada na integra por tempo indeterminado aqui em nosso site.

 

A RESPOSTA

 

Quem responde pelo Ministério Ágape é o sr. Milton Azevedo Andrade, que segundo ele mesmo se apresenta, trabalha na equipe deste ministério a mais de 16 anos.

Sua resposta foi bastante extensa, logo ficou bem difusa, por isso tecerei apenas alguns breves comentários sobre ela abaixo.

Foram 13 páginas de word, em espaço simples e fonte 10, abordando vários pontos dos quais muitos deles, eu sequer questiono seus valores na fé Cristã tais como a importancia da unção com óleo, reconhecer a presença de Deus, orações iniciais, cura divina e o louvor a Deus. Algo que como a maioria dos Cristãos acredito, pratico e acho importante. Penso que a resposta teria sido melhor se houvesse mais objetividade, e maior atenção ao cerne da questão trazida.

Sobre os apelidos e adjetivos que ganhei ao longo da resposta não vou comentar, para não incorrer no risco de ser grosseiro com o sr. Milton, que a julgar pelos cabelos grisalhos, merece todo respeito.

Por isso vou me limitar na pergunta central do artigo, que é muito simples, e adiante destacarei algumas das respostas mais relevantes que foram dadas pelo sr. Milton ao longo do seu texto a fim de que todos tenham uma boa compreensão dos fatos.

A pergunta ao longo do artigo de março era: Qual a biblicidade para a prática ensinada sobre proibir cruzar braços e pernas, ficar descalço etc... Onde nas escrituras encontramos respaldo para agirmos desta maneira em se tratando de libertação?

 

Resposta: Sim, Crítico, as práticas por nós compartilhadas, e que têm sido usadas na libertação de muitos, não são, de fato, mencionadas na Bíblia, como acontece com a maioria das práticas que os crentes adotam, em geral, nos dias de hoje. Mas também não têm nada que as condenem. Por isso são absolutamente legítimas, e o seu argumento cai totalmente por terra.

 

Meus irmãos e irmãs, longe de nós sermos pessoas bibliólatras, encaixotadores de Deus, e limitadores do Seu Espírito dentro de nossa débil compreensão, contudo é preciso entender que somente a Bíblia é nossa fonte de Fé e Prática. O ‘Sola Scriptura’ deve ser reavivado hoje em nossos corações tal como foi no período da Reforma e tanto benefício trouxe para a Igreja de seu tempo. Nada pode tomar o lugar das escrituras que lhe é próprio; Nem mesmo as experiências pessoais e ainda que estas façam chover milagres todos os dias, sendo seguidas por milhões de pessoas.

Nota-se que o movimento de Batalha Espiritual, conforme a resposta acima, baseia-se nas próprias experiências para fundamentar suas práticas e muitas das informações que fazem parte de seus ensinos não procedem das Escrituras. 

Entretanto a pergunta que se segue, é esta: Se não vem das Escrituras, de onde vem? Vejamos mais uma resposta sobre as práticas ensinadas.

 

Resposta: Não temos isso como uma doutrina, e ninguém é obrigado a fazer isso. Mas temos tido a direção do Espírito Santo de assim proceder, por uma razão muito importante. Realmente pedimos que as pessoas, na hora da renúncia, não cruzem braços e pernas, nem os dedos. A razão é que o diabo diz que, quando alguém cruza dedos, braços ou pernas, a pessoa está desdizendo o que está afirmando.

 

A razão é que o diabo diz! A razão “muito importante” para que tais práticas sejam ensinadas está baseada no que o diabo diz. Este é o problema, pois notamos que aos poucos as práticas da Igreja, passam existir apenas em função do diabo, e logo passa totalmente desapercebido, que este é o pai da mentira, o qual dispensa qualquer comentário sobre sua credibilidade(Jo 8:44). Logo é deste mal causado por estes ensinos falo, o qual precisa ser urgentemente repensado pela Igreja e sua liderança a fim de que haja o retorno desta às Escrituras. O que deve pautar a prática da Igreja não é o diabo, mas Deus por meio das Escrituras.

A respeito disso o Ap. Paulo adverte: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência” - 1 Timóteo 4:1-2

Por esta perícope na carta de Timóteo, oberva-se como era grande a preocupação do Ap. Paulo, que já naquela época, notava o perigo dos crentes se apostarem da fé, indo atrás de ensinos fora das escrituras, que o próprio apóstolo classifica como ensinos de demônios que se realizava pela boca de pessoas mentirosas cuja consciência estava cauterizada e impedida de receber a correção do Espírito Santo.

 

SINAIS e REVELAÇÃO SEMPRE SÃO CONFIÁVEIS ?[1]

 

Muitas pessoas hoje, valorizam sinais acima de tudo. Algumas interpretam acontecimentos na vida como provas da aprovação divina. Recorrem para visões e revelações particulares para justificar suas práticas e as defendem, citando algum sinal especial como confirmação do Espírito Santo.

Entretanto os sinais sempre são confiáveis e servem como prova da aprovação divina?

Em geral, os sinais, revelações, prodígios e milagres na Bíblia serviam para confirmar a palavra revelada por Deus aos profetas e apóstolos. No Velho Testamento, Deus capacitou homens como Moisés, Elias e Eliseu a realizarem milagres para confirmar a sua mensagem. No Novo Testamento, os apóstolos e vários outros recebiam os dons do Espírito Santo para confirmar a palavra revelada (Marcos 16:20; Hebreus 2:4; 2 Coríntios 12:12).

Contudo mesmo se alguém acreditar ver um sinal milagroso hoje, ainda sim deve dar mais importância às Escrituras e pautar sua prática por meio dela.

Deus nunca colocou os sinais acima da palavra.

No Velho Testamento, o Senhor disse: “Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio do que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses...não ouvirás a palavra deste profeta ou sonhador; porquanto o Senhor, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o Senhor, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma” (Deuteronômio 13:1-3). Neste caso, mesmo se o sinal fosse verdadeiro, ninguém deveria seguir tal “profeta”, pois ele ensinava algo que estava indo além daquilo que o povo tinha recebido de Deus.

No Novo Testamento, sinais milagrosos acompanharam os apóstolos do Senhor. Mas Paulo, um dos apóstolos, nos alerta: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gálatas 1:8). Portanto ainda que viesse direto do céu um anjo ou fosse apresentado grandes sinais, se a mensagem fossem além(fora) daquela revelada pelos apóstolos, esta deveria ser rejeitada pela Igreja.

Paulo avisou, também, de sinais e prodígios de mentira, empregados por Satanás  em 2 Tessalonicenses 2:9-10.

Por isso não importa quantos sinais alguém alega ter visto ou feito, a prova final é a Palavra que já foi revelada pelo Espírito Santo. É somente por meio dela que sabemos com segurança quem de fato está sendo usado por Deus.

A Igreja jamais deve colocar sinais ou revelações particulares do Espírito acima das escrituras e portanto não há número de testemunhos suficientes, capaz de transformar aquilo que está além das escrituras em certo e aprovado diante de Deus. Se está fora, então está fora, não importa se dá certo e os sinais sejam “verdadeiros”, que seja anátema.

 

DIZER QUE É REVELAÇÃO DE DEUS PARA OS DIAS ATUAIS[2]

 

Quando não encontram mais argumentos para defender suas práticas, é comum dizerem que esta é uma revelação de Deus para os dias atuais.

Mas será que o Cânon ainda não foi concluído, necessitando, portanto, que livros de batalha espiritual sejam inseridos como complemento?  Se a igreja do primeiro século não tinha estas revelações, porque obteve tanto sucesso evangelístico?  O que dizer ainda dos grandes avivamentos espirituais dos sec. XVI, XVII e XVIII? O que fazer com nomes como George Whitfield, John Wesley, Charles Finney, Hudson Taylor, Adoniran Judson, Carlos Studd e tantos outros homens de Deus que levaram o Evangelho ao mundo, pregando a outros povos, colonizando países, traduzindo as Escrituras, e que nunca usaram as manobras ensinadas pela Batalha Espiritual? Ou então o que dizer hoje da Igreja que é tão pserguida em algumas partes do mundo, e onde não se sabe nada a respeito de Batalha Espiritual? Como explicar o maravilhoso exemplo de fé daqueles crentes? Tudo isso é algo totalmente digno de nota e também de vergonha para nós da Igreja Brasileira que aparentemente possui tanto “conhecimento”, mas com tão pouco resultado e transformação.

É muito evidente que não se pode confiar em qualquer revelação só porque alguém dizer ter recebido do Senhor. Notamos também pela história da Igreja, que assim aconteceu com Charles T. Russell, que fundou a seita Testemunhas de Jeová, dizendo-se ter uma revelação do Senhor; Também Ellen Golden White, detentora de revelações e grande propagadora do Adventismo do sétimo dia; Podemos citar também, Joseph Smith, que recebeu revelações e, por isso, fundou a seita mórmon. Estes também tinham revelações fora das escrituras.

Particularmente não descreio em revelações, porém, penso que estas, precisam sempre ser analisadas à luz das Escrituras, pois, não possuem de maneira alguma autoridade final.

A Fé e a Prática dos crentes é sempre estará cativa à Palavra de Deus, sendo ela a unica fonte divinamente autorizada para determinar a práticas da Igreja. Jamais o diabo!

E também se a revelação estiver além das escrituras, devemos portanto rejeita-la conforme diz a Palavra, mesmo que a revelação produza milagres todos os dias e tenha milhões de adeptos testemunhando seus bons resultados.

Diante disso, gostaria de citar, novamente, as palavras do apóstolo Paulo: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gálatas 1:8).

 

O PRAGMATISMO[3]

 

Outro argumento para sustentar as práticas extra-bíblicas na Igreja se baseia no pragmatismo. Este termo “pragmatismo”, foi cunhado do vocábulo grego “pragma” que quer dizer: ato, coisa, evento, ocorrência, fato, matéria.

O pragmatismo ensina que conceitos, idéia e pensamentos só têm valor quando seguidos de conseqüências práticas. A respeito da verdade, o pragmatismo diz que somente as idéias que produzem resultados; ou seja, se funcionam, é porque são verdadeiras; em outras palavras, aquilo que funciona tem, por de trás, um princípio verdadeiro.

Este pensamento filosófico nasceu nos E.U.A, em meios do fim do séc. XIX para o séc. XX. Influenciou extremamente o ensino norte-americano, inclusive os seminários evangélicos. Os principais filósofos pragmáticos foram: Charles Sanders Peirce, William James, Royce, entre outros.

Levando a bandeira do pragmatismo, estão os pregadores da Batalha espiritual. Que invariavelmente, para respaldar suas idéias, selecionam experiências pessoais, e dizem basicamente: “se deu certo...então é de Deus.”

Vejamos o que diz Peter Wagner[4] sobre isso: 

“Sou um teórico, mas sou um daqueles que tendem por defender teorias que funcionam. Meu principal laboratório, onde submeto a teste essas teorias, tem sido a Argentina, pelo que o leitor lerá sobre muitos incidentes que ocorreram naquele país.” 

Em outra ocasião, ele fala da seguinte forma: “Sou uma pessoa muito pragmática, no sentido de que as teorias que mais me atraem são aquelas que funcionam.” [5]

Peter Wagner é representante do Movimento de Crescimento da Igreja, fundado por Donald MacGavran, em 1955.  Em 1980 começou a interessar-se sobre as dimensões espirituais do crescimento eclesiástico. É professor e diretor de Escola de Missões Mundiais do Seminário de Fuller nos EUA e defende uma linha de pensamento sobre a batalha espiritual, a qual se tornou a mais popular no Brasil, tendo como colaboradora e propagadora de suas idéias a Dra Neuza Itioka.

A linha de pensamento defendida por Wagner surgiu na esteira do que ficou conhecido como a Terceira Onda do Espírito(1988), uma corrente carismática que prega o ressurgimento nas igrejas cristãs locais dos sinais e prodígios ocorridos no período apostólico.[6]

Portanto pecebendo este pano de fundo histórico, entedemos a raiz  do pensamento pragmático defendido atualmente do Ministério Ágape, o qual também considera a experiencia pessoal como fonte de informações divinas autorizadas. 

Em um artigo chamado “Espíritos territoriais e missões mundiais” publicado em 1989, Wagner admite que seu conhecimento sobre “espíritos territoriais” baseia-se principalmente na sabedoria popular sobre o assunto.[7] E ainda tenta um cálculo do número de demônios que existem, baseado nas informações de um ex-pai-de-santo da Nigéria, a quem Satanás teria supostamente designado autoridade sobre um determinado número de demônios que. por sua vez, tinham controle sobre outros tantos.[8] Ele também defende a existencia de “casas-mal-assombradas” com base na experiencia de Missionários em Serra Leoa.[9] E assim Wagner passa a maior parte do seu artigo amontoando experiencia após experiencia em campos missionários, numa tentativa de demonstrar que suas idéias são verdadeiras porque aparemente “dão certo”.

Fica evidente que Wagner, assim como Itioka no Brasil, baseiam suas conclusões não em exegeses bíblicas, mas nas experiências aparentemente bem-sucedidas nos campos missionários e em gabinetes de aconselhamento como fonte autorizada de conhecimento.

O estabelecimento da legitimidade de uma prática extra-bíblica, pelos resultados que ela produz, é característica do pragmatismo norte americano; Algo nocivo que assalta a Igreja Brasileira sem que ela tome sequer consciência dessa corrente “fast-food” de pensamento enlatado norte americano que lamentavelmente determina suas práticas.

A respeito do pragmatismo, o Rev. Augustus Nicodemus Lopes[10] escreve que esta corrente de pensamento tem penetrado profundamente nas igrejas evangélicas, produzindo estragos tremendos.

Mas será que devemos ser pragmáticos enquanto Cristãos? Vamos usar certas coisas no culto e na Vida Cristã apenas porque elas “funcionam”? Ou vamos usar porque são bíblicas?

Sabe-se que existem muitos métodos, empregados pelas seitas, que também “funcionam”, pois do contrário as seitas não teriam tantos adeptos ao redor do mundo.

Mas a pergunta certa é, qual o fundamento bíblico para essas práticas? Se o propósito é encher a igreja de pessoas, existem muitas coisas que podem ser feitas pelos pastores para terem suas igrejas repletas. Mas tais práticas são bíblicas?

Percebe-se que o pragmatismo abre caminho para tantos outros erros e nos fará pensar que os fins justificam os meios.

 

PRÁTICAS ABSOLUTAMENTE LEGÍTIMAS ?

 

Como a maioria dos evangélicos, independente da sua confissão de Fé, seja ela Pentecostal, Neo-pentecostal, Histórico ou Renovado, acreditam que a Bíblia é a nossa única regra de Fé e de prática. Sou também consciente que há muitas áreas sobre as quais as escrituras não se pronunciam explicitamente. É por esse motivo que há liberdade para tomarmos algumas decisões nessas áreas usando o bom senso, as lições da história, mas sempre à luz do que é ensinado pelas Escrituras.

Mas, uma coisa é, digamos usar velas nos cultos das igrejas protestantes litúrgicas, boletins, envelopes, microfones etc... alegando que a Bíblia não proíbe. Outra, é construir um pensamento teológico-pragmático, baseado nas experiências pessoais em missões, aconselhamento e libertação usando o mesmo argumento e o “silêncio” das Escrituras. Não se pode usar deste mesmo argumento para legitimar todas as práticas extra-bíblicas ensinadas dentro dos vários cursos feitos pelo Ágape.

Nota-se que de fato a bíblia não fala nada sobre Clonagem, contudo devemos nos aproveitar deste silêncio bíblico para legitimarmos também a produção de orgãos humanos a partir de Clones? Ou clones escravos?

Conforme já disse, há tantas áreas em que a bíblia não condena(inclusive o escravismo), mas que pelo bom senso sabemos que certas práticas não podem ser legítimadas, ainda que funcione e seja muito útil para uma maioria.

Por isso ainda que uma prática pragmática ensinada na Igreja não tenha caráter de obrigatoriedade, deve-se primeiro repensa-la à luz das Escrituras, pois para qualquer Cristão, jamais os fins vão justificar os meios; E aquilo que estiver além do que foi revelado nas escrituras deve ser rejeitado como Fé e Prática legitimamente Cristã.

 

CONCLUSÃO

 

O presente artigo não tem a pretenção de questionar a honra ou a idoneidade moral das pessoas do Ministério Ágape Reconciliação. Portanto não há nenhuma conclusão tomada nesta esfera de minha parte.

Não escrevo para julgar ou denegrir a imagem de quem quer que seja; E conforme prometido anteriormente, foi resguardado o direito de resposta do Ágape, a qual já se encontra vinculada em nosso site por tempo indeterminado.

Sem ofensas e de maneira respeitosa exponho também a minha posição, face aos ensinos e práticas extra-bíblicas deste ministério, as quais foram admitidas por eles e que atualmente ainda é difundida entre os evangélicos.

Não é meu objetivo incorrer contra a Fé de quem quer que seja, uma vez que reconheço a total liberdade de culto garantida pela atual constituição do Brasil. Declaro meu respeito e apoio aos irmãos pentecostais, assim como a toda confissão de Fé presente na igreja protestante, especialmente neste País.

Portanto a todo o povo Cristão, eu escrevo estas linhas esclarecendo que apenas chamo o Corpo de Cristo, do qual também faço parte, de volta às Escrituras, independente se o leitor é Pentecostal, Neo-pentecostal, Histórico, Renovado etc...

É diante dos estragos que pessoalmente tenho observado, de fato questiono estes ensinos. É conhecendo uma realidade escondida debaixo dos carpetes de uma liderança eclesial interesseira, que penso que a Igreja hoje apenas duas saídas.

Ou orientamos nossas ovelhas que tratem seus problemas psico-somáticos com pessoas profissionais, diplomados e reconhecidos legalmente na area de psicologia ou a partir de agora repensamos as práticas dos ministérios de Cura Interior e Libertação sob o crivo das Escrituras, e somente por ela. Pois em muitos lugares estamos entregando nossas ovelhas nas mãos de pessoas pouco preparadas, que fazem um cursinho de 6 meses(ou menos), e se acham capacitadas para trabalharem o psicológico dos outros, dando aconselhamentos e receitando clichês bíblicos que nada resolvem. Isto quando o pioram o caso por falta de tratamento adequando, vindo estas pessoas mais tarde surtarem completamente, como recentemente aconteceu pessoas próximas a mim.

Entendo que é totalmente injusto culpar as pessoas por não terem apresentado os resultados positivos desejados conforme foi a resposta: “Nos casos em que não houve a libertação, normalmente podemos detectar que o problema foi a falta de fé.

Penso que se o Ministério Ágape, enquanto uma instituição reconhecida e séria,  oferece seus serviços para os Cristãos em forma de cursos e ministrações, ela portanto deve assumir sua resposabilidade sobre os resultados que ela produz, quer eles sejam bons ou ruins. É injusto citar os casos positivos para demonstrar publicamente que são abençoados, e logo se isentar de assumir a responsabilidade sobre os resultados ruins, alegando que estes aconteceram pela falta de Fé do opresso.

Não nego que existam resultados positivos produzidos pelo Ágape, entretanto não está certo ele se insentar dos negativos.

Talvez se voltássemos a simplicidade e pregação do evangelho da Graça, entenderiamos que a Fé é um dom que vem Deus e que esta encontra o homem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.(Ef 2:8 ; Rm 10:17).

Quem sabe assim os verdadeiros sinais e prodígios do Espírito, tal como ocorria no período apóstolico, não começam ocorrer novamente, se nós tão somente voltarmos para aquela simplicidade do evangelho?

Quem sabe depois que nos despojarmos de todo pragmatismo e nos revestirmos do genuíno Evangelho de Cristo, teremos enfim um avivamento verdadeiro como aqueles que aconteceram nos séc. XVI, XVII e XVIII, onde ninguém conhecia nada sobre as profundezas de Satanás.

Entendo que existe ainda uma saída para a Igreja de hoje, a qual compete a todo Cristão sair por ela.

 

“Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem.” - João 10:9

 

A entrada e a saída da Igreja é Cristo! Somente por meio Dele os Homens são salvos e os Crentes encontram alimento fértil para nutrir sua vida Cristã. Logo não é o diabo a razão importante de nossas práticas, mas Nosso Senhor Jesus Cristo, que tinha em sua boca a pregação do evangelho do reino.

Uma palavra tremendamente simples, cheio de Graça, Amor, Esperança e Paz. Era algo sem nenhuma manobra mirabolante ou conhecimentos profundos a respeito do diabo e seus planos, contudo era algo extremamente eficaz e libertador, sem nenhuma contra-indicação.

O evangelho que saia da boca de Jesus, re-humanizava as pessoas e não levava ninguém a agir como um animal demarcando território com urina[11], nem a consagrar absorventes por receio dos demônios. Este evangelho eterno não neurotiza ninguém, nem leva pessoas para se santificar  e buscar “poder” por receio do que o diabo possa fazer.

Para pregar este evangelho, não é necessário anos de experiência, expulsar legiões de demônios, ou adquirir conhecimentos profundos debaixo de uma unção especial.

Ele está a disposição de todo aquele que for quebrantado, humilde e manso de coração.

Ele está disponível para o homem e para a mulher, para o pobre e para o rico, para o analfabeto e para o intelectual, para o débil e para o gênio.

Enfim para pregar o evangelho eterno da Graça, algo que verdadeiramente liberta o homem de toda obra escravizante, não é necessário fazer nenhum nível de curso, nem a leitura de vários livros especializados.

Basta abrir as páginas do livro de Deus e deixar que aquelas Palavras de Amor, Paz, Esperança e Perdão sejam encarnadas em nós e vivam através de nós.

Para ser Cristão, não basta se dizer um, tem que viver como Cristo viveu, mediante o que está escrito na Sua Palavra.

Encerro este artigo dizendo que não me coloco como Juiz da Igreja, contra meus irmãos ou seus líderes constituídos, mas me coloco a seu dispor, como um diácono, como aquele que serve, afim de ajuda-la a caminhar no reto caminho que é Jesus Cristo, sem se desviar nem para esquerda, nem para a direita.

Creio no futuro Igreja Cristã, apesar dos atuais Cristãos, dos quais também sou participante e pecador.

 

"Sei que a igreja tem suas tolices, incoerências e irrelevâncias; mas amo minha mãe, a despeito de suas fraquezas e rugas" - E. Stanley Jones

 

 

Naquele que é tudo em todos

Mariel Marra[12]

 

 

LINKS SUGERIDOS:

http://www.guerreirosdaluz.com.br/batalhaespiritual-caiofabio.htm

http://www.ipcb.org.br/Publicacoes/batalha_espiritual.htm

http://www.guerreirosdaluz.com.br/analisebiblicadapraticadoagape.htm

 

BIBLIOGRAFIA:

LOPES, Augustus Nicodemus. O que você precisa saber sobre Batalha Espiritual. 3 ed. São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 2001.

HORRELL, J. Scott, Ultrapassando Barreiras (igrejas inovadoras e métodos bíblicos que brotam no Brasil), 105-121p. Edições Vida Nova, São Paulo – SP, 1995.

D´ARAUJO FILHO, Caio Fábio. Principados e potestades. 2ºed, São Paulo:Mundo Cristão, 1984

_______. Batalha Espiritual. São Paulo: Vinde, 1994.

 

DOWNLOAD:

http://www.guerreirosdaluz.com.br/respostadoministerioagapereconciliacao.doc

 



[1] http://www.estudosdabiblia.net/bd13_06.htm

[2] http://www.cacp.org.br/batalha_espiritual.htm

[3] http://www.cacp.org.br/batalha_espiritual.htm

[4] C. Peter Wagner- ORAÇÃO DE GUERRA, p. 13

[5] Ibid. P. 26

[6] O termo “terceira onda do Espírito” foi cunhado e popularizado por C. Peter Wagner, através de seu livro The Third Wave of the holy Spirit, 1988, cf.

[7] Wagner, “Territorial Spirits”, 278.

[8] Ibid., 279.

[9] Ibid., 278.

[10] LOPES, Augustus Nicodemus. “O que você precisa saber sobre Batalha Espritual”. Ed Cultura Cristã, p. 59-60. 1998.

[11] Ricardo Gondim escreve para a Revista Ultimato um artigo chamado “Quatro episódios e muitas inquietações”, onde ele relata que em Curitiba algumas pessoas dizem ter recebido a unção do Leão da Tribo de Judá e que por isto receberam a revelação de que deveriam urinar nos limites da cidade para consagra-la pra Deus. Fonte: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&secMestre=597&sec=614&num_edicao=283

[12] Mariel Marra é atualmente bacharelando em Teologia pela FATE-BH (Faculdade evangélica de Teologia de Belo Horizonte), membro da Igreja Batista da Lagoinha, servindo nesta congregação como diácono e professor de história da igreja.Trabalha ativamente na Internet e outros meios de comunicação em defesa da Fé Cristã e do meio ambiente, chamando os Cristãos para o equilíbrio e moderação em Cristo por meio das Escrituras. Para outras informações: marielmarra@gmail.com