DROGAS, DEMÔNIOS E ILUSÕES:
A SURPREENDENTE SAGA DA DRA. REBECCA BROWN E ELAINE
Todo o texto referente à analise dos livros e da biografia de Rebecca Brown foi traduzido do site Watch the Tower.
A história de minha vida com Deus não é algo muito estável... ou melhor: Deus sempre cuidou de mim! Eu é que cometi diversas falhas (das quais me arrependi e busquei perdão em Deus através de Jesus Cristo). Digo isto porque não pretendo enganar ninguém com uma imagem de “super santo” ou de perfeição sobre-humana: tudo o que sou hoje devo à Graça e à Vontade Soberana de Deus em minha vida.
A cada vez que o Espírito Santo propõe um texto em meu coração eu busco ao Pai em oração, para que eu não esteja apresentando simplesmente minhas inúteis e humanas idéias, mas que Ele me ampare na verdade que há em Sua palavra.
Não posso mentir e não nego que o início de meu ministério (... quando ainda não era um ministério!) sofreu alguma influência dos livros de Rebecca Brown. Admito que eu lia e ficava impressionado... porque não dizer: até mesmo amedrontado! Os relatos sobrenaturais fantásticos dessa mulher são realmente emocionantes e impressionantes... porém eu, nessa época, ainda não tinha o hábito dos bereanos: confirmar tudo o que foi dito com a veracidade da palavra de Deus.
Passado pouco mais de um ano de meu primeiro (porém intenso) contato com tais livros alarmantes, Deus mudou muitas coisas em meu entendimento. Aqueles que têm a paciência para ler meus textos podem acompanhar minha “evolução” na compreensão da palavra da verdade através de meus vários estudos e análises, além dos textos de outros autores que busco indicar: para que, afinal, serve o famoso “Óleo de Unção”? “Amarrar” demônios tem suporte bíblico?... esses são alguns dos temas que vão conflitar diretamente com as doutrinas apresentadas por esta senhora.
Diante de tantos pontos questionáveis, decidi reavaliar as obras de Rebecca Brown. Busquei análises feitas por outros cristãos e acabei encontrando mais do que eu esperava: Paul Blizzard, um ex-testemunha de Jeová convertido ao Senhor em 1982 (leia seu testemunho, em inglês, aqui) fez uma profunda pesquisa sobre a verdadeira vida de Ruth Bailey (esse é o verdadeiro nome da senhora Rebecca Brown), de Edna Elaine Moses (a “ex-bruxa” Elaine) e, num segundo texto (cuja tradução disponibilizarei em breve), também de Daniel Yoder.
Antes de me dedicar a esta tradução, procurei ler os outros textos de Paul Blizzard (... afinal, não gostaria de divulgar mais mentiras além das que serão reveladas nesta análise) e encontrei textos equilibrados e pertinentes. Diante de tais indicações positivas, decidi trazer para o português as chocantes revelações sobre a verdadeira vida e carreira de Ruth Bailey... a tão controversa “Rebecca”. Caso queira ler o texto original (em inglês), sinta-se a vontade para clicar aqui.
Um outro motivo que me levou a executar tal tarefa foi saber que muitos pastores proíbem as obras dessa senhora aos membros de suas igrejas e não dão maiores informações... isso acaba aguçando ainda mais a curiosidade de alguns. Pois bem: esta análise, baseada principalmente nos livros “Prepare-se Para a Guerra” e “Ele Veio Para Libertar os Cativos”, vai esclarecer que estes pastores têm total razão em proibir estas obras divulgadoras de engano.
Alguns podem alegar que são válidas as referências sobre o catolicismo, as tatuagens... e mais alguns outros pontos onde até pode haver alguma coerência. A estes eu prefiro responder citando minha amada palavra de Deus:
“Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal.” (I Tessalonicenses 5:20-22)
Sobre as profecias eu já falei, agora só falta destacar que a ordem dada foi para que evitemos até mesmo a “simples” aparência do mal... quanto mais o mal comprovado!
Não posso deixar de agradecer o valioso auxílio que recebi de minha amada "Oma" Mary Schultze, que deu importantes “toques” na tradução.
Preferi não alterar os erros de concordância contidos nas transcrições dos livros para provar que, além de adulterar o conteúdo do texto original (talvez para “suavizar” a obra e vender mais...), as editoras “gospel” em nosso país nem se dão ao trabalho de revisar com atenção o material que põem no mercado. Aliás, a própria Rebecca é a primeira a dar o exemplo ao escrever obras repletas de informações falsas no claro intuito lucrar. Se tudo isso não for ganância, não sei mais o que pode ser...
“Como a perdiz, que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias as deixará, e no seu fim será um insensato.” (Jeremias 17:11)
“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” (I Timóteo 6:9-10)
Histórias sobre um
matrimônio com o diabo; hospitais e prefeituras governados por adoradores de
Satanás, um acampamento nos bosques para bruxas e a guerra solitária de uma
mulher contra as forças do mal são apenas um pouco de tudo contado por uma
autoproclamada ex-bruxa e uma médica que afirma tê-la libertado do demônio.
Rebecca Brown e Elaine (sem sobrenome mesmo) contaram sua história a Jack Chick, cuja companhia (Chick Publications) editou em duas fitas cassete, Closet Witches (Bruxas de Armário) 1 e 2, e dois livros, “Ele Veio Para Libertar Os Cativos” e “Prepare-se para a Guerra”. Rebecca e Elaine também tiveram oportunidade de promover sua mensagem no popular programa de entrevistas “Geraldo”, em 1987.
A “Chick Publications”, conhecida principalmente como editora de panfletos evangelísticos, ganhou notoriedade por publicar histórias sensacionais, notavelmente as de John Todd (que afirma possuir conhecimentos sobre uma sociedade oculta e conspirativa chamado “Os Illuminati”) e Alberto Rivera (que garante ter sido padre Jesuítico um dia e ter testemunhado todos os tipos de atividades pecaminosas e conspirações da ICAR [1]).

A “Chick” está acostumada com controvérsias, mas considera qualquer um que discorde das afirmações em suas publicações como um inimigo espiritual. Na fita “Bruxas de Armário 2” diz que “acho que os ouvintes deveriam prestar atenção naqueles que, nos círculos Cristãos, irão atacar Rebecca e Elaine para destruir sua credibilidade e a mensagem nesta fita. É mais do que provável que estes atacantes possam ser satanistas ou bruxas, que fingem ser crentes em Cristo, e isso será muito, muito interessante de assistir”.
Espera-se que os leitores e ouvintes da história acreditem principalmente nas duas mulheres: Rebecca Brown e Elaine. Compreendemos que as informações aqui contidas são impressionantes e estarão tocando numa ferida daqueles crentes que estão mais envolvidos com tais obras. Esta não é uma tentativa de revolver o passado, mas sim de expor a verdade sobre tais professoras alarmistas.
A HISTÓRIA DE ELAINE
Elaine diz que nasceu com uma fenda palatina que necessitou de reparo cirúrgico. Sua família não pôde arcar com os custos da cirurgia. Então uma amiga falou para a mãe de Elaine que o procedimento poderia ser executado em troca de nada além de uma pequena quantidade do sangue do bebê: segundo Elaine, foi dito a sua mãe que o sangue seria para uso experimental. Porém o sangue foi usado em uma cerimônia na qual ela foi vendida a Satanás.
Elaine prossegue contando os eventos que a conduziram ao envolvimento mais profundo com a feitiçaria e o satanismo. Descreve sua ascensão ao poder no satanismo após ser iniciada no serviço de Satanás em um acampamento de bruxas. Lá ela assinou seu nome em sangue e iniciou a escalada do poder na feitiçaria. Ela relata seu desenvolvimento até que, numa competição nacional de bruxas, ela sobrepujou todos as suas colegas e foi nomeada sacerdotisa superior.
Elaine conta: “Colocaram-me
uma coroa de ouro sobre minha cabeça e meus companheiros na seita se inclinaram
e me prestaram homenagens. Fui tratada igual a uma rainha pelo restante da
estadia. Deram-me belíssimas roupas, quaisquer que quisesse, banharam-me,
pentearam os meus cabelos e me calçaram. Nas festas eu estava sempre
acompanhada de um homem elegante que era também meu guarda-costas... meu
acompanhante sempre experimentava a minha comida para assegurar-me de que não
estivesse envenenada” [2].
Isso não era tudo, Elaine diz que se casou com o próprio Satanás, que vestiu um smoking branco e alugou uma igreja presbiteriana para a cerimônia. Após o matrimônio, os recém casados foram levados de limusine para o aeroporto, onde embarcaram no luxuoso jato particular de Satanás. Elaine diz que no caminho para sua “lua de mel assombrada” em uma mansão na Califórnia, Satanás experimentou vinhos caros e champanhes [3].
Elaine diz que se tornou “uma representante de Satanás a nível mundial”, viajando ao redor do mundo para se encontrar com chefes de estado e líderes estrangeiros para negociar a venda de armas. Ela foi possessa por um demônio chamado “Mann-Chan” e falou idiomas estrangeiros fluentemente [4].
Elaine liga o Papa católico romano à rede de ocultismo mundial que ela diz ter liderado: “... mas o Papa sabia muito bem que eu era. Trabalhávamos em parceria íntima com os católicos (principalmente os Jesuítas), bem como os maçons de altos graus” [4].
“AQUELA DOUTORA DEVE SER
MORTA”
Então veio uma tarefa que mudaria sua vida, diz Elaine. Satanás lhe contou que “no seu hospital “especial” havia uma médica que se julgava muito esperta. Ela não só se atrevera a “pregar e orar”, como também a intervir no trabalho das bruxas naquela instituição”. Elaine diz que Satanás “ordenou-me a organizar um esforço nacional, com todas as bruxas mais poderosas, na intenção de destruí-la. Não se importava como o fizemos, mas ela deveria ser morta o mais rápido possível” [5].
A jovem doutora era Rebecca Brown, uma residente. Elaine recebeu sua tarefa e foi trabalhar. No entanto, Elaine diz: “... constatei que nas vezes em que fazia encantamentos direcionados à médica, os demônios voltaram incapazes de completar o trabalho” [6]. Elaine conta como sua dificuldade para destruir Rebecca espiritualmente se transformou em uma derrota para Satanás. Por causa de tais incidentes e outros eventos, Elaine tornou-se uma cristã.
Satanás estava bravo e Elaine conta: “A primeira atitude deles (Mann-Chan e os outros demônios) foi ir diretamente a Satã e dizer o que eu havia feito. Então, como dizem, a coisa ficou feia”. Ela ainda diz: “Ao chegar em casa, na mesma noite, ele (Satanás) veio falar comigo. Agora, entretanto, tudo era diferente: antes, normalmente, ele teria se aproximado, posto as mãos sobre meus ombros ou me abraçado, mas, ao contrário, ficou a uma certa distância e pude notar que havia muitos demônios poderosos com ele. Mas, mesmo assim, estes se mantiveram à distância, Satã parecia louco. Gritou para mim: “Que diabos você pensa que está fazendo”? “Estou te deixando”, respondi” [7].
Isso resultou em uma acalorada discussão e Elaine ordenou que ele partisse. Ela diz: “Nas duas semanas que se seguiram, suponho que ele tenha me visitado umas vinte vezes. Em algumas usava o charme, tentando ser um amante, mas sempre furioso. Tentou persuadir-me...” [8].
O ENCONTRO DE REBECCA E ELAINE
O próximo passo de Satanás era tornar Elaine doente e levá-la “àquele hospital” em particular, onde ela foi posta sob os cuidados de Rebecca. Elaine tem sua narrativa confirmada por Rebecca.
Rebecca diz que Deus revelou que Elaine ainda tinha centenas de demônios e necessitava de libertação: “Levei o problema ao Senhor, em oração. Ele disse que queria que eu levasse Elaine para morar comigo já que ela não possuía fé o suficiente para suportar tudo sozinha. Além disso estava divorciada há muitos anos [9] e não possuía amigos íntimos” [10]. Se até mesmo o hospital estava sob controle dos satanistas, Rebecca diz que ela e Elaine eram alvos da “Irmandade” (a saber: um grupo das pessoas por que são diretamente controladas por Satanás e o adoram).
Rebecca prossegue contando sobre Deus fazendo muitas alianças e revelações audíveis para ela. As descrições são vívidas e detalhadas.
Em uma descrição, Deus envia um anjo para matar Elaine após ela haver se tornado cristã. Rebecca relata seu encontro com “uma figura luminosa de vestes brancas... empunhando uma espada. Ele era alto, muito alto. Sua cabeça quase tocava o teto do aposento. Ele irradiava poder, e sua expressão era ameaçadora. Sua pele era bronzeada, e a espada na sua mão parecia ser de pura luz branca” [11].
E qual foi a mensagem
dele? Rebecca conta: “Eu fui enviado por Deus Pai, para matar esta que é tão
rebelde e desobediente. Ela irou a Deus” [11]. E por que Deus havia enviado um
anjo para matar Elaine? Rebecca explica: “Ele (Deus) tinha pedido a Elaine para
fazer uma aliança com ele, que as protegeria de um ataque que viria dos
satanistas locais. Elaine tinha se recusado a fazê-lo, insistindo teimosamente
que ela iria lutar e proteger a ambas” [12].
Logo, Rebecca está dizendo que Deus havia enviado um anjo para matar alguém que não quis fazer uma aliança com Ele para proteger-se de ser morta.
Rebecca diz que ela “lançou-se sobre sua face ao chão...” e suplicou ao “Pai” que poupasse a vida de Elaine: “...faça que a tua ira recaia sobre mim ao invés de sobre Elaine”, ela clamou. O irado “Pai” atendeu sua petição: “O anjo colocou a espada na bainha. “Levante-se, mulher” – ele disse – “Sua petição foi ouvida e concedida” – Então ele desapareceu” [13].
TEOLOGIA ESTRANHA
Em “Closet Witches 2” Rebecca descreve algo chamado “argumentar com Deus” (counter petitioning God), onde ela advoga (discute) com Deus para que Ele não permita Satanás causar danos a outros cristãos. Ela aparentemente antevê os planos de Satanás e então pede a Deus que não os deixe ter sucesso.
Rebecca também detalha algumas visões não ortodoxas do caráter de Deus Pai e Jesus Cristo, o Filho. Em “Prepare-se para a Guerra”, Rebecca descreve um diálogo que teve com Jesus:
“Subitamente, aquela doce voz do Senhor falou comigo novamente, dizendo:
– Converse comigo, filha.
– Eu não posso conversar contigo, Senhor, eu não sinto nada diferente de antes, e tudo que o Senhor faz é ficar bravo comigo!
– Mas eu não estou bravo com você, eu nunca estive. Veja, eu, Jesus, sei como você sente porque eu experimentei a fraqueza. O pai nunca experimentou a fraqueza, e assim Ele usualmente fica bravo quando o Seu povo está fraco” [14].
Como o objetivo deste artigo não é uma tentativa de refutar todas as imperfeitas noções extra-bíblicas da teologia de Brown, estes são dois notórios exemplos do que está sendo divulgado.
“ALIANÇAS” E “COMBATE”
Rebecca prossegue contando que Deus quis fazer outra aliança para que ela se envolvesse no ministério de “libertação”. Rebecca diz : “Os termos desse pacto eram como se segue: primeiro, eu deveria entregar a minha vida a Deus para ser usada da forma que ele quisesse para combater diretamente Satanás e seus demônios. Em segundo lugar, eu deveria compreender que tal compromisso traria um preço muito alto. Eu acabaria por perder minha carreira, minha família, todos os meus amigos e quase tudo que eu considerava precioso” [15]. Ela sentia que se não fizesse essa aliança com Deus iria perder o seu relacionamento com o Senhor [15].
Rebecca diz que aceitou a tarefa. Elaine uniu-se a ela, recém saída do exorcismo de oito semanas para retirar Mann-Chan e centenas de outros demônios. Juntas, elas se uniram a Deus para lutar contra Satanás.
Rebecca diz: “Primeiro, eu usara o poder de Jesus Cristo para barrar os efeitos da bruxaria em um dos hospitais preferidos de Satã (onde os bruxos eram os doutores e enfermeiras da equipe do hospital e faziam os pacientes ficarem mais doentes). Depois o Senhor colocou-me em uma batalha que fez Satanás perder uma das suas noivas que ostentava o título máximo – foi uma grande perda para seu reino” [16].
Rebecca diz que Satanás lançou um contra-ataque, ameaçando fazer sacrifícios humanos com Rebecca e Elaine. Porém, a proteção de Deus prevaleceu e, segundo Rebecca, “Ele queria que eu continuasse na medicina interna e abrisse uma clínica particular, para que eu tivesse uma clientela numerosa. Isso se fazia necessário para que Ele pudesse trazer as pessoas para que eu ministrasse sobre elas e, de modo especial, os membros da seita” [17].
Rebecca diz: “abri um consultório médico numa pequena cidade a cerca de cem quilômetros de distância da cidade na qual Elaine foi iniciada no Satanismo... tive o privilégio de retirar cerca de mil pessoas do Satanismo... cada centavo que eu conseguia com o meu trabalho era gasto para ajudar essas pessoas com comida, roupas, transporte para fora do estado, cuidados médicos e assim por diante” [18].
Rebecca e Elaine continuam contando os seus encontros com Satanás, seus demônios, satanistas e bruxas... feitiços e contra-feitiços sendo disparados a ponto delas terem sua casa amaldiçoada. Rebecca diz: “O Senhor permitiu que os satanistas fossem instrumento para a morte de minha mãe” [19].
Um golpe final fez com que tivessem de correr para salvar suas vidas. Rebecca diz: “Satanás lançou um de seus últimos ataques contra nosso ministério naquela localidade. Os satanistas vieram e, numa noite, enquanto eu e Elaine estivemos fora de casa por duas horas, destruíram tudo o que nós tínhamos. Eles destruíram a machadadas tudo em minha casa, matando até mesmo nossos preciosos animais de estimação. Eles destruíram também o meu escritório e tudo que tínhamos ali. Elaine e eu escapamos com vida e com as roupas do corpo, e só. O ataque de Satanás foi tão bem planejado que todos se viraram contra nós ao mesmo tempo... Não tivemos escolha senão fugir para um outro estado do país” [20].
A próxima parada delas, conforme a narrativa, foi na “Chick Publications”, onde contaram toda essa história.
QUEM SÃO ESTAS MULHERES?
A resposta dessa pergunta é o coração de qualquer investigação sobre as afirmações e todos os livros publicados sobre elas. Achar as respostas não foi fácil. Para aqueles que tentaram entrevistá-las, elas foram bastante evasivas. Por exemplo, o autor Jerry Johnson, em seu livro “Edge of Evil” (Fronteira do Mal), declara que Rebecca não permitiria que Elaine fosse entrevistada sobre a missa negra, dizendo que isto seria muito duro para ela e que levaria semanas para ela se recuperar [21].
Um olhar profundo no passado de Rebecca também é difícil. Para começar, deve-se saber que ela nem sempre foi “Rebecca Brown, M.D.”. Ela mudou seu nome, “Ruth Irene Bailey, M.D.”, em uma petição ao Tribunal Superior da Califórnia, no município de San Bernardino, datada de 11 de fevereiro de 1986. Ruth Irene Bailey, de Apple Valley (na Califórnia), junto a seu advogado, Robert Salisbury, de Anaheim, pediu uma mudança de nome para “Rebecca Brown”. A razão alegada era: “a solicitante tornou-se mais conhecida pelo nome proposto para ser utilizado como pseudônimo e nome usado em ministério que por seu presente nome” [22].
Considerando que os dois livros de Rebecca foram publicados em 1986 e 1987, parece improvável que ela tenha se tornado tão extensamente conhecida por seu pseudônimo apenas no segundo mês de 1986. Fazer isso para esconder da “Irmandade”, seria uma futilidade já que essas pessoas poderiam adivinhar tal informação de maneira sobrenatural... ainda que nem tivessem lido isso no Diário de Imprensa de San Bernardino, um jornal de grande circulação no qual o assunto foi publicado semanalmente, durante quatro semanas, antes da data fixada para a audiência da petição. A mudança de nome foi então oficialmente registrada em 25 de abril de 1986.
Rebecca tinha suas razões para mudar de nome, porém não por causa da notoriedade que ela havia adquirido com seu nome novo, mas da fama que ela havia alcançado com o antigo...
DE MÉDICA A FANÁTICA
Ruth Irene Bailey
nasceu em Shelbyville (Indianápolis), para Ebner e Lois Bailey, no dia 21 de
maio de 1948. Ela foi criada em Indianápolis, concluiu o segundo grau e então
conquistou o conceito A+ em enfermagem na IUPUI
(Universidade de Indiana – Universidade de Purdue em Indianápolis) em maio de
1968 [23]. Ela trabalhou então como enfermeira durante sete anos [24] (na fita
“Closet Witches 1” ela diz que foi enfermeira por 10 anos). Ela ingressou na
Universidade Purdue, em Indianápolis, em setembro de 1976 [25], transferindo-se
então para a Escola de Medicina da Universidade de Indianápolis. Recebeu o seu
Doutorado em Medicina no dia 30 de abril de 1979 [26].
Ela mudou-se então para Muncie, Indiana, para iniciar seu estágio e residência no Ball Memorial Hospital. Este é o “hospital” ao qual ela se refere repetidamente em seus livros e fitas como “um dos hospitais preferidos de Satã” [16]. Ruth começou seu estágio com boas recomendações: de sua escola e dois médicos respeitáveis – Doutor Cavins e Doutor Steel, de Indianápolis. No entanto, parece que logo no início de seu estágio ela desenvolveu uma obsessão com demônios e libertação.
Um porta-voz do Ball Memorial Hospital, Dr. John Cullison, diretor de educação médica, contou ao jornal “Notícias de Indianápolis” que “A Doutora Bailey proveu excelentes cuidados nos dois primeiros anos após unir-se ao pessoal residente do hospital, em 1979. Entretanto comecei a receber relatórios de que ela estava exorcizando demônios na unidade de tratamento intensivo – ele disse – e eu pedi que ela partisse” [27].
Durante seu estágio e residência no hospital, o comportamento de Ruth tornou-se mais bizarro: ela começou a usar velas nos quartos durante os exorcismos [28]. Muitas vezes ela falou a seus pacientes que ela era “escolhida” por Deus como a única médica capaz de diagnosticar certas doenças e sintomas que os outros médicos não poderiam. Ela crê que outros médicos, inclusive os médicos do Ball Memorial Hospital, em Muncie (Indiana) e do Centro Médico St. John, em Anderson (também em Indiana), eram, na realidade, demônios, diabos e outros espíritos malévolos encarnados [29]. Ninguém do hospital poderia comentar sobre estes relatórios por serem registros confidenciais, mas os representantes do hospital ajudaram a refutar muitas de suas acusações.
Por exemplo, em “Closet Witches 1” ela diz: “Eu sempre tinha a capela só para mim porque ninguém nunca a havia usado”. Uma visita ao Ball Memorial Hospital indicou que a capela era bem utilizada e que havia Bíblias disponíveis.
Ela disse que “passados os seis meses que trabalhava no hospital, a administração recolhera dos quartos todos os novos testamentos (Bíblias dos Gideões)” [24]. Um representante do hospital negou esta afirmação e podem ser vistas as Bíblias dos Gideões nos salões de entrada e áreas de espera do hospital.
Ela também diz: “aos ministros não seria permitido visitar na companhia de outros que não fossem os seus próprios paroquianos. E, se tentassem evangelizar outros pacientes, seriam escoltados pela segurança e advertidos a não retornarem mais. O serviço de capelania não era permitido. Na realidade, parecia haver um esforço no sentido de banir qualquer menção ao cristianismo dentro do hospital” [24].
Muitos hospitais grandes têm políticas de proteger seus pacientes de ministros ou exorcistas / curandeiros que tentem entrar nos quartos para expulsar demônios ou aplicar técnicas curativas. Sobre a proibição do serviço de capelania, o Ball Memorial não tem um capelão residente, mas tem instalações para cuidados e aconselhamentos pastorais.
O comportamento de Ruth ficou ainda mais estranho e sua obsessão com demônios agravou seu estado mental. Mais tarde, o Conselho de Licenciamento Médico registrou que ela “declarou em diversas ocasiões que possuía a capacidade de “compartilhar” das doenças de seus pacientes ao lutar contra demônios, diabos e outros espíritos do mal que supostamente estariam causando as várias doenças e condições” [30].
Ruth e Elaine se encontraram no Ball Memorial e finalmente começaram a viver juntas. Contudo, a história real do encontro e relacionamento delas guarda pouca semelhança com a história contada e promovida por Jack Chick.
A SACERDOTISA SUPERIOR ELAINE
“Edna Elaine Moses” nasceu “Edna Elaine Knost”, na sonolenta cidade de New Castle, Indiana. Em 1986 ela retornou legalmente a seu nome de solteira [31]. Elaine nasceu com uma fenda palatina que deixou sua face um tanto desfigurada. Ela conta a Chick, em “Closet Witches 1”: “Eu odiava as pessoas, fui muito maltratada em casa e também fui bastante maltratada na escola: quando se é criança, nada é pior que uma criança da mesma idade para te ferir mais profundamente e tornar a tua vida miserável... e foi assim comigo por causa de minhas deformidades” [32]. Parece que Elaine ainda carrega algumas de suas cicatrizes psicológicas por causa da sua deformidade e dos aborrecimentos que suportou por causa disto.
Entrevistas com familiares de Elaine revelaram-na vivendo uma vida permeada de mentiras e armações. Eles expressaram pouca surpresa com suas fábulas selvagens, divulgadas nos livros de Rebecca. Os exageros de Elaine provaram ser, muitas vezes, um embaraço para os membros de sua família, evidenciando que ela faria quase qualquer coisa que receber atenção. Por exemplo, um método muito utilizado por Elaine era fingir ter ataques apopléticos em locais públicos.
Um registro médico diz que a Elaine apresentava uma “desordem de personalidade mista”, e “é de confiança questionável” [33]. Isso fica evidente quando se compara o testemunho de Elaine contado em fita de cassete com a versão apresentada no livro e, então, podemos observar cuidadosamente a história que ela e Rebecca contaram.
Por exemplo, Elaine conta a Chick que “na adolescência constatei uma enorme habilidade para influenciar outros e fazê-los agirem de acordo com minha vontade. A minha força física era incomum” [34]. Na fita “Closet Witches 1”, Elaine diz que se valeu de tal força na escola secundária, quando atacou um jogador de futebol americano que a ofendeu no corredor da escola: “... havia um jogador de futebol americano, que pesava uns 120 kg... avancei sobre ele, derrubei-o e comecei a esmurrá-lo. Bati tanto em sua face que foi necessária uma cirurgia para consertar: quebrei seu nariz, sua mandíbula e arrebentei seus dentes. Foram necessários oito professores para me separar daquele menino. Eu o teria matado”. Chick então pergunta: “Elaine, qual sua altura naquela época”? Elaine responde: “Oh, eu só pesava uns 43 kg... Eu media em torno de 1,62m”.
Em “Ele Veio Para Libertar Os Cativos”, ela conta a história novamente, reduzindo o número de professores a cinco, mudando o peso do menino para uns 100 kg, seu próprio peso para 50 kg e os danos para o nariz, o queixo e inúmeros ossos da face quebrados [34].
As discrepâncias entre essas duas versões da história são compreensíveis. Qualquer um que comente sobre um evento que ocorreu anos atrás poderia mudar tais detalhes ligeiramente a cada repetição. O que é significativo nesta história é que uma entrevista com vários colegas da escola secundária de Elaine, inclusive jogadores do time de futebol americano, negou o incidente conforme descrito por Elaine. Isso nunca aconteceu – não importa em qual versão a pessoa tente crer.
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DROGAS, DEMÔNIOS E ILUSÕES: A SURPREENDENTE SAGA DA DRA. REBECCA BROWN E ELAINE
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Notas de rodapé:
[1] Veja mais: The Journal of Pastoral Practice, Vol. 3, nº. 4, pg. 99-103; Vol. 5, nº. 2, pg. 83-88; Christianity Today, Feb. 2, 1979, pg. 38-42; The New Logos Journal, 1979 de março / abril, pg. 67-69; Cornerstone magazine, Vol. 9, edição 53, pg. 29-31.
[2] Rebecca Brown (Médica), Ele Veio Para Libertar Os Cativos. Dynamus Editorial, 4ª Edição, pg. 42.
[3] EVPLOC, pg. 46, 47. (Nota do Tradutor: Este parágrafo contém uma revelação não divulgada na tradução da obra par o português: o fato de a igreja alugada ser presbiteriana... certamente os editores do livro no Brasil censuraram tal informação com medo de vender menos por causa de polêmicas. Minha humilde e sincera opinião é: ou você crê no que publica e tenta fazê-lo da forma mais fiel ou então não publica!)
[4] EVPLOC, pg. 48.
[5] EVPLOC, pg. 62
[6] EVPLOC, pg. 62
[7] EVPLOC, pg. 63
[8] EVPLOC, pg. 64
[9] Nota do Tradutor: O texto original diz que o marido terrestre de Elaine havia deixado-a para permanecer com os satanistas.
[10] EVPLOC, pg. 72.
[11] Rebecca Brown (Médica), Prepare-se Para A Guerra. Danprewan Editora Ltda. 1ª Edição (10ª reimpressão), pg. 18.
[12] PPAG, pg. 17.
[13] PPAG, pg. 19.
[14] PPAG, pg. 303.
[15] PPAG, pg. 37.
[16] EVPLOC, pg. 78.
[17] EVPLOC, pg. 76.
[18] PPAG, pg. 300.
[19] PPAG, pg. 301.
[20] PPAG, pg. 301,302.
[21] Jerry Johnston, Edge of Evil, Rise of Satanism in North America, Word Publishers, Dallas, 1989, pg. 173.
[22] San Bernardino, Califórnia County Clerk Document, number VCV009038.
[23] Solicitação de licença para praticar a arte curativa através de exame, submetida por Ruth Bailey ao Conselho de Licenciamento Médico de Indiana, #76607. Data de emissão: 14/08/1979.
[24] EVPLOC, pg. 9.
[25] Solicitação de licença, op. cit.
[26] Carta da Escola de Medicina da Universidade de Indiana para o Hospital Memorial Ball em Muncie, Indiana, em 09 de julho de 1979.
[27] Notícias de Indianápolis (Indianapolis News), 21 de setembro de 1984; pg. 5.
[28] Entrevista com o Detetive Samuel E. Hanna e o Capitão Tim R. Davis, da Polícia do Condado de Madison (Indianápolis), em junho de 1989. Fita gravada em arquivo.
[29] Apuração de Fato, nº. 11, Ruth Bailey, M.D. perante organização do Conselho de Licenciamento Médico de Indiana #83 MLB 038.
[30] Apuração de Fato, nº. 20, caso #83 MLB 038.
[31] San Bernardino, Califórnia, County Clerk Document, number VCV009037
[32] “Closet Witches 1”, lado dois, Chick Publications, Chino, Califórnia.
[33] Exposição de estado #22, relatórios de “Internação de Paciente” e "História e Físico" de Edna E. Moses, Registro Médico nº. 89477.
[34] EVPLOC, pg. 21, 22.